sábado, 25 de março de 2006

o mau tempo é bom e uma memória de criança


aqui ou ali um sorriso supenso ou um beijo prometido no pescoço que escorrega como espuma que bate nos ombros e com o guardanapo de pano limpo os cantos do mundo para que possa respirar mais leve como se chamasse os pássaros

eu já na primavera e ainda tanta gente no inverno
aqueço os joelhos nos pedais da minha bicicleta azul prateada e caio sempre que a monto.
volto a montá-la e deixo a pedra da calçada escorregar até os guarda-chuvas voarem

a tipa grita fado ou o enfado que me farta a tripa
fadas fodas fieis ou não, não importa
importa ou que vem pois nem sempre são peixes
são as horas e são os fios
são os figos do pensamento da aldeia insconsciente
do bolo d'avó e do cheiro a naftalina
tanto porco tanta poica terra que o combóio passa na linha e não pára
não podemos apanhar laranjas
a laranjada antiga na casa da tia
sorvo
um pássaro corvo que voa e não era um grito que o matou
afogado o corpo mole que insistia ficar na água

amén!

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